A
história de um gato vira-lata que salvou a vida de um homem já vendeu
mais de 250 mil cópias. O livro Um gato vira-latas chamado Bob tornou-se
um sucesso ao contar como o bichano salvou a vida de seu dono, o músico
de rua James Bowen. E agora deve virar um filme de sucesso: o agente
que fechou o acordo do filme “Marley & eu” já
está negociando a compra dos direitos autorais do livro.
Bob é um gato tigrado laranja que costuma acompanhar o dono, o músico
James Bowen, em suas andanças pelo centro de Londres. Bowen é um músico
de rua e ganha dinheiro tocando nas ruas, uma prática conhecida como
busking. Ao final da apresentação, ele diz “Vamos, Bob, toca aqui!”, e o
gato imediatamente estica a pata para fazer o cumprimento. A plateia
vai ao delírio.
Bob
não é um gato comum. Ele tem conta no Twitter, com mais de 12 mil
seguidores, sua própria página no Facebook e até um grupo de
admiradores, o Gatos de Rua, que lhe manda fotos, mensagens e presentes.
Sem contar seu próprio best-seller, traduzido para 18 línguas.
O
livro escrito por James Bowen, Um gato chamado Bob, é uma crônica de
como ele, um músico de 33 anos que já morou na rua e foi viciado em
heroína, deu uma virada na vida com a ajuda do gato. O livro já rendeu
cerca de R$ 105 mil ao músico – mas a expectativa é que esse número deve
saltar quando o acordo com a produtora de Hollywood for fechado. A
agente literária Mary Panchos, que descobriu James e Bob pedindo
dinheiro na rua, foi quem fechou o acordo para que o livro Marley &
eu (sobre a história do “pior cachorro do mundo”) se transformasse no
filme com Jennifer Anniston e Owen Wilson, que faturou mais de US$ 110
milhões nas bilheterias.
Há
pouco mais de cinco anos, Bowen estava tentando se recuperar do vício
da heroína quando encontrou Bob. O gato estava faminto e bem machucado,
abandonado em uma escadaria num bloco de apartamentos de um conjunto
habitacional no norte de Londres. “Eu estava se escondendo num canto,
todo machucado, coitadinho”, ele contou ao jornal britânico Daily Mail.
Ele perguntou pela vizinhança, mas não achou o dono. Ele limpou sua
ferida, comprou remédios (que lhe custaram mais do que um dia tocando na
rua). “Era o último dinheiro que eu tinha, mas eu achei que tinha de
ajudar o Bob. Sempre gostei de gatos”, disse.
Quando o bicho
melhorou, ele tentou soltá-lo. “Achei que era um gato de rua”, lembra.
Mas Bob não ia embora. “Eu saía de manhã para ir tocar e ele me seguia
pela rua, até onde podia. Quando eu voltava, ele estava me esperando.
Até que um dia ele me seguiu e entrou no ônibus comigo!”.
Depois
disso, James Bowen comprou uma coleirinha para o gato e passou a
levá-lo. O gato subia no seu ombro durante as viagens em transporte
público. “Ele é um gênio”, brinca o dono. Logo no primeiro dia, enquanto
ainda estava abrindo o case do violão, as pessoas começaram a deixar
moedas. No final do dia, ele tinha quase o triplo de um dia normal. Com o
tempo, as pessoas começaram a se acostumar a ver o músico e o gato
juntos e passaram a trazer brinquedos e comida para Bob. Até roupinhas.
“Alguém deu de presente um cachecol púrpura. Depois disso muita gente
queria dar um cachecol para o Bob. Hoje ele tem mais de 20 cachecóis de
lã, blusinhas e até cobertores. É incrível”, diz o dono. No primeiro
Natal que passaram juntos, uma mulher deu ao gato uma meia de natal
cheia de presentes e James comprou até uma arvorezinha de Natal. Bob
ficou deitado o tempo todo sob a árvore.
Por
duas vezes, ele pensou ter perdido o companheiro. Uma vez, o gato saiu
correndo quando um homem fantasiado o assustou. E outra vez, ele foi
perseguido por um cachorro. “Eu fiquei apavorado, me senti muito culpado
por não ter tomado conta dele como deveria”, lembra James. Mas Bob
sempre voltava para ele.
A maior surpresa, porém, foi quando a
agente literária o abordou na rua. “Ele me perguntou se que queria
contar minha história em livro. Logo tínhamos um contrato e seis meses
depois, o livro estava nas lojas. Foi lançado no meu aniversário e foi o
melhor presente da minha vida!”.
O livro ficou em primeiro no
Reino Unido durante seis meses e continua na lista dos Best-sellers. Um
segundo volume já está programado para contar o que a amizade de Bob
ensinou ao músico. Com o dinheiro, ele pagou dívidas, contratou um plano
de saúde para Bob e uma passagem para que ele possa visitar a mãe na
Austrália – com quem brigou há muitos anos. “Eu devo tudo ao Bob”, diz
James. “Pela primeira vez, eu senti que tinha uma família. E isso me deu
determinação para ter uma vida melhor. Nós estamos seguindo nessa
jornada juntos. E que jornada!”
Sobre o filme, as pessoas já
começaram a perguntaram quem ele gostaria de ver fazendo seu papel no
cinema. “Johnny Depp”, diz ele, “mas ele está um pouco velho, né não?” E
Bob. “Nossa, não sei. Ele é o gato mais famoso que existe!”
Por enquanto, os dois vão continuar tocando nas ruas, mas somente duas
vezes por semana. “Eu gosto muito de tocar na rua. E Bob adora vir
comigo. Para as pessoas, eu nunca digo que sou o dono dele. Somos
parceiros, isso sim.”
Fonte:Época
